Anderson e Ted se conheceram na infância, no início eram apenas vizinhos, a música foi o primeiro elemento que os uniu e até a diferença de idade de 3 anos foi superada. Anderson era muito calado, Ted, só um pouquinho menos. O universo se resumia a fitas, lps (todos de rock) e umas idas à sorveteria do bairro. Para irem a algum lugar mais distante, Ted tinha que comparecer pessoalmente à casa do amigo e informar o roteiro a sua família. Como os pais de Ted tinham ótimas relações com os de Anderson, não era um processo dos mais complexos. Com idade média por volta dos 14 anos, os dois conhecem ‘o Mauro’. O novo amigo já era considerado ‘experiente’ pois já fumava, bebia, passava alguns dias fora de casa sem avisar, tinha os cabelos tocando nos ombros e já havia experimentado até um baseadinho. Anderson e Ted ficaram impressionados com a desenvoltura verbal de Mauro, pois até poemas de Augusto dos Anjos o sacana sabia decorado. Eis que surge a banda de rock mais importante da cidade, digo região, ou melhor dizendo, do bairro,.....tudo bem, da Rua 9. Existem outros personagens na estória, como o Jean Marzica, Luize, Davírgula, Fabuloso, mas fica para outro momento. O Power trio estava agora completo: Anderson já tocava bateria, Ted, guitarra e Mauro contrabaixo. Coincidentemente, os pais dos três também tocavam mal algum instrumento. Os amigos tinham personalidades complementares: enquanto Anderson queria se jogar no mundo novo e descobrir todas as experiências que Mauro apontava, Ted ficava ali no meio termo, curtindo as aventuras com um dedinho na realidade, tentando dosar as loucuras dos colegas e ao mesmo tempo administrando suas próprias loucuras; as vezes sonhava com um amor, mas isso pra ele ainda era algo platônico.... Mauro era garanhão, estava sempre jogando charme para o mulherio local, vestia calças desbotadas e jaquetas, mesmo nos dias de calor mais africano; tinha sempre uma piada ou estória interessante para atrair as atenções e não é que o safado conseguia. A amizade dava certo, pois tinha esses extremos que se alternavam: loucura, sensatez, sonhos, realidades, expectativas, decepções, futuro, presente, sorvetes e vinhos, mais vinhos que sorvetes a partir de então. A juventude era uma janela para o infinito e eles iam extraindo suas experiências entre shows (de rock), mesas de sinuca, expressões artísticas, fitas cassetes, livros, grana limitava e cervejas sem limite e no final tudo dava certo. A banda do momento era a banda que iria dar certo, todos tinham certeza absoluta que iram virar astros do rock, era como um leite fervendo..... a coisa ia subindo, subindo, até que ..., melava tudo e não dava. Várias bandas se sucederam, mas o Power trio acabava se encontrando nos próximos projetos. Anderson aprendeu a se expressar e já discutia Literatura Russa e Física Quântica, Ted era meio dividido entre o curso de administração/web sites, economia/design; Mauro largou o baixo, casou, entrou para o curso de Literatura e só de olhar pra capa, já conseguia discutir um livro. A vida foi passando e cada um tomando um rumo diferente; conheceram novos amigos, participaram de outras turmas, se isolaram, construíram e desconstruíram relações. 20 anos depois, tenho tido menos contato com os três, mas soube que Anderson está participando de um grupo de estudos de filosofia pós-espiritual, além dos estudos para concursos, Ted virou funcionário público e se diverte pintando telas e Mauro escreve textos, está distribuindo charme como mestrando e pensa ser professor universitário. Nem sei se são felizes com suas escolhas, mas não dizem que a felicidade é só o caminho? Fico pensando no que faz algumas amizades durarem mais que tantas outras, será a compatibilidade, divergência ou complementação de gênios? O importante é que eles se encontram ao menos uma vez por mês, lá no bar da Rua 9, pra falar de suas ex-promissoras carreiras, experiências, sonhos, frustrações, realizações, além dos rotineiros questionamentos literários/espirituais/artísticos/filosóficos, regados do mesmo senso de humor, é claro. Novos projetos despontam à mesa diretamente proporcionais às cervejas e a miscelânea vai unindo o Power trio entre deuses e doses.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
velho mundo velho
Oh velho mundo velho
Verás teus ricos filhos batendo a porta dos irmãos renegados
O que precisarias pra compreender?
Fizeste festas intermináveis com ouro roubado
e jogastes garrafas vazias no quintal dos teus vizinhos
Se orgulhastes de ti além da conta
Agora chegou a conta pra pagar
Não adianta tentar pagar com cartão
O cartão está vermelho - de sangue que não quer estancar
Agora terás que reaprender a comer,
um pão a cada refeição é mais que o suficiente
Não adianta querer impor novas leis
Você não passa de um inciso, digo inseto.
Oh filho rebelde,
Teu pai vivia tentando te ensinar,
Se esforçando pra te dar a melhor educação
Tu não destes ouvido
Tens agora que repetir a primeira das séries.
tá vendo aquela enxada? Volte para a primeira lição:
Aprendendo a plantar pra comer
Não esqueça de dividir com os vizinhos de terras inférteis
ou terás que refazer as primeiras lições da existência humana.
Sem direito a enxada ou campos Elísios.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
sábado, 6 de agosto de 2011
abstrato em fases
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Fases da 'mesma' imagem
domingo, 29 de maio de 2011
Cachorrinha Basset

sábado, 28 de maio de 2011
domingo, 30 de janeiro de 2011
Novo Clipe do Lustiank - Moteis/SA
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
think of you
